sábado, 29 de novembro de 2008

QUEM SERÁ?


Ontem eu não escrevi nenhum post, pois cheguei muito cansado do trabalho e simplesmente apaguei na cama. Então, esperei o jogo entre São Caetano e Banespa para finalmente me sentar e começar a digitar. Não vou falar do jogo, mas de um assunto que envolve uma jogadora do São Caetano: a Fofão. Ou melhor, das possíveis candidatas à vaga deixada por ela na Seleção Brasileira.

Desde que se deu início o ciclo olímpico que culminou na medalha de ouro em Pequim, José Roberto Guimarães começou uma busca por aquela que iria substituir a Fofão, quando ela se aposentasse da Seleção, depois das Olimpíadas. No primeiro round, a Carol venceu suas concorrentes e ficou com a vaga de suplente. Agora, um novo ciclo se inicia. Não tem mais Fofão e nem o fantasma da Venturinni rondando a todo tempo. É a hora das novatas mostrarem o seu valor. Mas quem seria a melhor ou as melhores opções para as vagas de levantadoras do Brasil?

A Carol Albuquerque, por ter se sagrado campeã olímpica (sem nunca ter conquistado a confiança do técnico e da torcida) larga nessa corrida, com uma pequena vantagem: tem experiência e bagagem na seleção, além de ser uma líder em quadra. Mas ela peca pela técnica.

Das realmente novatas, Dani Lins me parece ser a que tem mais chances. É alta, tem um toque excelente. Mas ainda não inspira confiança pela instabilidade mostrada em anos anteriores. E ainda existe a história de que há um certo clima negativo entre ela e o Zé Roberto. Mas com a cabeça no lugar, ela tem vantagem sobre a Carol.

Com menos chances de figurar entre as convocadas, a Fabíola é a que mais me agrada pelo comportamento. Tem espírito de levantadora: ousada, arrisca bastante e faz o time todo jogar. Mas lhe falta precisão. Dentre as mais citadas, Ana Tiemi é quem está em maior desvantagem. Optou por jogar no Finasa o ano passado, que poderia ter sido algo proveitoso já que a Carol passou um bom tempo com a Seleção. Mas este ano, continua na reserva e tem jogado pouco e quando joga, me parece não ter a seriedade necessária para quem postula a vaga na seleção. Talvez, se tivesse escolhido por jogar em um time menor, mas onde fosse titular e conseqüentemente mais vista, teria mais chances.

Correndo por fora, estão jogadoras menos conhecidas como Fernandinha, Ana Cristina e Camila Adão (essa por sinal é a melhor entre as novatas em minha opinião), mas as três têm uma grande desvantagem pela baixa estatura, coisa que é impensável no voleibol atual, em nível internacional (claro que há exceções, como a Takeshita, mas nenhuma delas tem a mesma habilidade da japonesa). E ainda vejo uma possibilidade remota, da Betina começar a aparecer mais.

As jogadoras são essas. Todas com qualidades e limitações. Quem vai chegar lá? Aquela que realmente mostrar que está querendo chegar. É preciso motivação e muito treino. Pois quem já teve Fofão e Venturinni não pode se conformar com pouco.

DOIS TOQUES

Segundo Tempo
Ao que parece, as duas principais forças do vôlei feminino no Brasil, Finasa e Rexona, não estão querendo dar chances a ninguém nessa segunda fase da Superliga. Os dois times estão treinando em dois períodos durante toda a semana. O Rexona, campeão do primeiro torneio estréia logo mais, às 18h (horário de Brasília) contra as mineiras do Praia Clube. O Finasa enfrenta as catarinenses do Pomerode, amanhã às 11h, tentando esquecer o fracasso no primeiro turno.

Vestiário
O levantador Marcelinho ficará de fora da partida de estréia do seu time, Tigre/Unisul, no segundo torneio da Superliga Masculina. O jogador, que foi julgado e suspenso por uma partida, teria ofendido verbalmente um árbitro durante a partida contra o time de Betim, no qual sua equipe perdeu. Na partida contra o Santo André, logo mais às 19h, quem jogará é o reserva Jotinha.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O MELHOR DO ANO!

O COB – Comitê Olímpico Brasileiro anunciou nesta quinta-feira, os melhores técnicos do ano de 2008. E com muito merecimento, o prêmio de melhor técnico do ano em esportes coletivos foi para José Roberto Guimarães. A meu ver, esse prêmio veio para reconhecer o trabalho de um sujeito que, por muitas vezes, foi bastante criticado (inclusive por mim) e sem nunca perder o foco no seu objetivo, alcançou a honrosa situação de único técnico bi-campeão olímpico.

O “Zé” é uma figura muito interessante. Foi ele um dos principais responsáveis pelo “boom” do vôlei no Brasil. O crescimento do esporte começou com a Geração de Prata, na década de 80, mas definitivamente foi após a conquista do ouro em Barcelona que o vôlei se transformou em uma das paixões do povo brasileiro. Zé Roberto conseguiu transformar um time de meninos em campeões olímpicos e ídolos de um país inteiro. Ele recebeu muitas críticas por não ter conseguido fazer o time brilhar da mesma forma em 1996, mesmo muitos sabendo que o problema daquele time foi o ego de muitos jogadores que estava bastante inflado. O técnico chegou a abandonar o vôlei e se aventurar pelo futebol. Mas a paixão falou mais alto.

Voltou ao vôlei, para desta vez trabalhar com mulheres, algo que já tinha feito muito tempo antes. Foi um re-começo tumultuado, mas aos poucos o Zé encontrou o caminho certo e levou o Finasa ao tri-campeonato da Superliga. Dali para a Seleção foi um pulo. Mas foi um pulo na fogueira. Zé Roberto assumiu a Seleção Feminina, pouco tempo antes das Olimpíadas de Atenas, depois de uma catastrófica passagem do técnico Marco Aurélio Motta pelo selecionado verde-amarelo. Foi ele o responsável por apresentar ao mundo, aquela que viria ser uma das maiores estrelas do voleibol na atualidade, a Mari. Na derrota em Atenas, teve hombridade e assumiu a culpa pelo fracasso, mesmo ela não sendo totalmente dele.

Em 2005, iniciou um processo de renovação na Seleção. Sob o olhar desconfiado de muitos e debaixo de provocações e insinuações, Zé Roberto continuou fazendo o que de melhor sabe fazer: trabalhar! E esse trabalho resultou no brilhante ouro de Pequim. Ouro “amarelo”, como ele fez questão de frisar em tom irônico, para aqueles que acusavam a Seleção de fraquejar nos momentos decisivos.

Esse prêmio veio coroar a carreira desse talentoso e lutador técnico brasileiro que, por vezes, foi ofuscado pelo comportamento “pirotécnico” de Bernardinho, numa comparação injusta e desnecessária que o brasileiro adora fazer. Parabéns “Zé”! O Brasil está com você!

DOIS TOQUES

Internacional
Olá pessoal que freqüenta o “Vôlei Comentado”! Quero agradecer mais uma vez aos elogios que tenho recebido pelo blog e com isso, me comprometer ainda mais em sempre trazer informações de qualidade para vocês. Na terça-feira, eu instalei no blog um serviço que mede a audiência que estou tendo e a minha surpresa é que em dois dias, vi que já tive mais de 300 visitas, que as pessoas estão passando em média 3 minutos lendo o blog (um tempo excelente em se tratando de internet) e o mais surpreendente é ver que gente do mundo todo está lendo o blog: além do Brasil, recebi visita dos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Finlândia, Coréia do Sul, Japão, Malásia e até do Vietnã. Muito obrigado a todos!

Alteração
Acredito que muitos já devam saber, mas a tabela da Superliga Feminina sofreu alterações. O jogo entre São Caetano/Blausigel e Banespa/Medley que aconteceria nesta sexta-feira (28/11) às 20h30 (horário de Brasília) foi transferido para o sábado (29/11), a partir do meio-dia (horário de Brasília). Será uma boa oportunidade de ver em ação o time do Banespa, que foi responsável por uma das maiores surpresas dessa Superliga ao vencer o poderoso Finasa. E também poderemos ver se as três campeãs olímpicas do São Caetano, finalmente encontrarão o seu jogo. A partida será transmitida pelo canal Sportv. Vale a pena conferir!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

FAMÍLIA? QUE FAMÍLIA! QUE FAMÍLIA?



Primeiramente, gostaria de agradecer à participação de todos que estão visitando o blog, seja elogiando, criticando ou sugerindo. É justamente da sugestão de um leitor que parte o meu texto de hoje. No seu comentário, o leitor pediu que eu escrevesse sobre a mística da chamada “Família Bernardinho”, título que acompanhou a Seleção Masculina de Vôlei nos últimos oito anos.

Não é fácil abordar esse assunto. É um assunto polêmico, pois trata da imagem de um grande treinador, que diferente de outros esportes e até mesmo no vôlei, alcançou o status de ídolo, ao mesmo tempo em que os atletas, que são aqueles que geralmente ganham os louros das vitórias. Também não é fácil para mim, como fã do Bernardo, opinar sobre o assunto. Mas opiniões existem para serem expostas e aqui vou eu!

Ao usarmos a palavra “família” para designar qualquer outro grupo de pessoas, que não a própria família, estamos querendo dizer que ali estão presentes conceitos comuns em qualquer família como amor, cumplicidade, companheirismo, compreensão. A expressão “Família Bernardinho”, não foi criada por ninguém da seleção. A imprensa – e eu faço parte dela – é quem adora adjetivar as coisas e criou esse pseudônimo para a Seleção Brasileira. Mas o Bernardinho aceitou. Não só aceitou como sempre destacou essa característica em sua equipe.

Ao fazer isso, o Bernardo também aceitou a imagem de pai e como tal, vieram as responsabilidades de prover, de manter unida, de indicar o caminho. Ao longo dos oito anos à frente da Seleção, poucas foram as alterações no grupo de 12 jogadores. De Atenas para Pequim, somente quatro novos jogadores figuraram na lista do Bernardo. Dos que saíram, dois optaram pela aposentadoria, um resolveu ir para o vôlei de praia, depois quis voltar, mas não tinha o mesmo pique e um debandou por problemas com o grupo, com a família.

E é aí que mora a dúvida. Sabemos que um grupo que se sente como família, torna-se mais fortalecido, um sabe que pode contar com o outro, um entende melhor o outro. Por outro lado, Seleção é lugar para os melhores estarem jogando. Não quero julgar a posição do Bernardo. Mas acredito que isso foi uma faca de dois gumes. Por acreditar que necessitava de um time coeso, unido, uma geração de jovens talentos por pouco não foi perdida. Vamos passar por uma renovação na seleção, onde os novatos já têm em média 24 ou 25 anos. Com essa idade, muitos dos jogadores que defenderam o Brasil em Pequim já eram veteranos.

É preciso ter cuidado quando zelamos demais por alguma coisa. Tudo em excesso torna-se prejudicial. Um grupo forte, unido, onde existe cumplicidade é muito bom, diria que é essencial até. Mas um bom ambiente de camaradagem e amizade, às vezes pode mascarar problemas técnicos que por ventura, venham a existir. É preciso que o comandante (ou pai) tenha o discernimento para conseguir manter o afastamento saudável que o permita tomar decisões duras, que até podem ser ruins para ele mesmo, mas que sejam boas para o grupo e para o Brasil, principalmente.

DOIS TOQUES
“Jenny” diz adeus ao Tio Sam
A chinesa Lang Ping deixou o comando da Seleção Feminina de Vôlei dos Estados Unidos. Após quatro anos como técnica do selecionado americano e de ter levado o time a uma surpreendente medalha de prata em Pequim, “Jenny” como é chamada por lá, disse que no momento preferia se dedicar mais à família e quem sabe trabalhar em algum clube, onde a temporada é mais curta. Curiosamente, as três medalhas olímpicas que Lang Ping possui estão relacionadas aos Estados Unidos. Em Los Angeles (1984) ela conquistou o ouro como jogadora. Em Atlante (1996) levou o time do seu país à conquista da medalha de prata e em Pequim, foi prata novamente no comando do time americano.

Chove sem parar...
A chuva que vem assolando o estado de Santa Catarina há mais de 60 dias, tem trazido prejuízos ao vôlei nacional. O estado abriga quatro times que disputam a Superliga, dois no feminino (Brasil Telecom e Cativa Pomerode) e dois no masculino (Cimed e Unisul). A estrada que liga Pomerode à capital Florianópolis estava completamente fechada até a manhã desta quarta-feira, o que impediria o time de embarcar de avião para Osasco, onde enfrenta time do Finasa no próximo domingo. Algumas jogadoras não estavam nem conseguindo ir treinar, pois moram em cidades vizinhas e as estradas estão fechadas. Na final do primeiro turno da Superliga Masculina, entre Cimed e Minas, a chuva gerou inúmeras goteiras no ginásio, dando trabalho aos enxugadores de quadra. Brusque e Pomerode são cidades que têm vítimas das enchentes causadas pela chuva. Vamos torcer para que tudo termine bem.



terça-feira, 25 de novembro de 2008

FICARAM NO QUASE


Alex na época em que defendia a Ulbra

Hoje, assistindo ao jogo que abriu o segundo turno da Superliga Masculina (Suzano x Bento), me deparei com um atleta que há muito tempo eu não via jogar: Alex Lenz, defendendo o time de Bento Gonçalves. De 1998 até 2004, confesso que acompanhei pouco o vôlei brasileiro, me permitindo apenas a ver os jogos das nossas seleções, e mesmo assim em poucas ocasiões e pode ser por isso que fazia tempo que não via o Alex Lenz. Mas não é especificamente dele que eu vou me referir neste texto de hoje.

O Alex é um exemplo de jogadores que “ficaram no quase”. Me lembro que ele começou a despontar para o vôlei brasileiro no final da década de 90, quanto o então técnico da Seleção Brasileira, Radamés Lattari, promoveu algumas renovações do time. Aquela seleção, a meu ver foi a recordista de atletas que não engrenaram, que não explodiram e que continuam ou terminaram a carreira como jogadores medianos.

Assim como o Alex, naquela época surgiram nomes como Joel e Ricardo Roim, que também não engrenaram. Esse último, por sinal, foi o maior desperdício de potencial que eu já vi. Naquela época, aqui no Brasil, era difícil ver jogadores com mais de 2 metros de altura e o Roim tinha 2,09m, se bem me lembro.

Um pouco antes, ainda sob o comando do Zé Roberto, algumas novas caras apareceram na Seleção Brasileira que também não vingaram ou se perderam no meio do caminho. O caso que mais me chamou atenção foi o do Pinha, um jogador de muita força e explosão, que chegou a disputar as Olimpíadas de Atlanta, mas que me parecia não querer muita coisa com o esporte. Mas existiram outros como os meios-de-rede Reinaldo e Alexandre Sloboda.

No feminino, que eu me recorde, não existiram tantos casos assim. Mas me lembro da Estefânia que era apontada como grande promessa do vôlei. A Fabiana Berto, que chegou a ser chamada de “a futura Fernanda Venturinni”, pelo próprio Bernardinho e mais recentemente, na conturbada passagem do técnico Marco Aurélio Motta pela seleção, os casos da Ciça e da Luciana Adorno.

Em todos esses casos, eu me pergunto: como pode um atleta de ponta, que tem toda a melhor estrutura disponível para desenvolver seu voleibol, deixar essas chances escaparem? Será falta de motivação, como acho que foi no caso do Pinha? Será que foram erros na administração da própria carreira, como acredito que tenha sido os casos da Estefânia e do Ricardo Roim?

Aparentemente, o crescimento do voleibol brasileiro nos últimos anos ultrapassou os limites das quadras e hoje vemos que os atletas têm acompanhamento profissional desde as categorias de base. E isso é muito bom. Não que eu ache que todo atleta deva e tenha condições de chegar a uma seleção brasileira, mas que pelo menos se mantenha na elite do vôlei nacional. E para ser sincero... gostei de ver o Alex Lenz jogando.

DOIS TOQUES
Tchau!
O tempo não anda bom para os técnicos brasileiros na Itália. Em menos de quinze dias, dois foram demitidos dos seus times. Na semana passada, o ex-técnico da Seleção Brasileira, Radamés Lattari foi mandado embora do Martina Franca, que ocupava a nona posição na classificação, após 8 rodadas. E hoje, o time do Treviso anunciou a demissão do técnico brasileiro Renan Dal Zotto. O ex-jogador medalhista de prata nas Olimpíadas de Los Angeles, havia sido contratado para fazer o time brilhar este ano, depois da péssima campanha do ano passado e para isso levou para o time o levantador Ricardinho que estava jogando ao lado do seu ex-colega de seleção Gustavo Endres. Mas com quatro derrotas em cinco jogos, foi difícil Renan permanecer no comando da equipe. Pelo visto, ser técnico brasileiro com sobrenome italiano, na Itália, não está dando sorte.

Rindo à toa
Enquanto isso, outro técnico brasileiro, que não tem sobrenome italiano, está se dando bem em terras italianas. José Roberto Guimarães está comandando o seu Scavollini Pesaro ao bi-campeonato italiano nesta temporada. No ano passado, “Zé” ficou apenas como coordenador esportivo do clube para dedicar mais atenção à seleção que foi campeã em Pequim. Sem Sheilla e Mari que retornaram ao Brasil, a equipe italiana conta este ano com outra brasileira, Jaqueline.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A DANÇA DAS MULHERES


A CBV divulgou hoje as estatísticas gerais do primeiro turno, tanto da Superliga Masculina, quanto da Feminina. Entre tantos dados, existem algumas curiosidades que chamam a atenção, principalmente no feminino. Muito se fala sobre a instabilidade das mulheres do vôlei. E isso não deixa de ser verdade. É comum ver jogos com placares de 3 x 2, onde um determinado time vencia a partida por 2 x 0 e permitiu a reação do adversário. Ou sets em que um time faz 8 pontos seguindo e logo depois sofre mais 8 pontos. Nessa primeira fase de Superliga, algumas partidas em especial provam esse meu ponto de vista.

O Osasco montou um time para desbancar qualquer outro da sua chave, neste primeiro turno. O time conta com quatro atletas campeãs olímpicas (Carol Albuquerque, Paula Pequeno, Sassá e Thaísa) e jovens talentos promissores, com passagens pela seleção adulta (Ana Tiemi, Natália e Lia). Na sua chave, os principais adversários seriam o Pinheiros (de quem venceu fácil nas finais do Paulista) e a jovem equipe do Minas. À primeira vista, um caminho fácil para chegar à final do primeiro turno. Mas estamos falando de mulheres...

Na terceira rodada do turno inicial da competição, o Osasco conseguiu a proeza de estar ganhando de 2 x 0 do frágil time do Banespa, com um segundo set com placar arrasador (25 x 9) e permitiu a virada do time da capital paulista, perdendo no tie-break por 15 x 9. Na rodada seguinte, venceu o Minas (que fez a final contra o Rexona) por 3 x 0. E na rodada final, bastava vencer o Pinheiros que garantiria a vaga para a final. O resultado vocês já sabem qual foi...

A mesma coisa aconteceu com o São Caetano. Na primeira rodada, gerou polêmica a derrota do time para o renovado e nem tão forte quanto no ano passado, time do Brusque. O “Sanca” que conta com três das principais jogadoras campeãs olímpicas (Mari, Sheilla e Fofão) amargou a derrota e demorou para recuperar o fôlego na competição. Tanto que ficou de fora da final.

Curiosamente, o mesmo Brusque que venceu o São Caetano, sofreu para vencer o, apenas esforçado, Mackenzie, no jogo com maior tempo de duração do primeiro turno (2h32), com o tie-break mais longo também (22 minutos). Mais curioso ainda é que quando o São Caetano enfrentou o time mineiro aplicou a maior diferença de placar no primeiro turno (25 x 7), no jogo mais rápido até o momento (1h02).

Essa instabilidade verificada no vôlei feminino é algo que quebra a cabeça dos técnicos há muito tempo. A Seleção Feminina, no fatídico 24 x 19 em Atenas, foi o exemplo maior dessa instabilidade que acomete as mulheres do vôlei. Mas a postura das mulheres do Brasil, em Pequim, mostra que um trabalho bem feito sempre gera bons resultados. É certo que existem diversos fatores que realmente diferenciam o trabalho com atletas mulheres do trabalho com atletas homens. Mas se esses fatores já são conhecidos, então que sejam trabalhados para serem evitados ou pelo menos minimizados.

DOIS TOQUES
Confirmado
O técnico Bernardinho confirmou a sua permanência à frente da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei até os Jogos Olímpicos de Londres em 2012. É provável que no ano que vem, o técnico promova algumas renovações no selecionado brasileiro, com a possível aposentadoria de jogadores veteranos. Anderson e Gustavo já anunciaram que não defendem mais o time do Brasil. Marcelinho, André Heller, Serginho e Giba não garantem se continuam ou não no time. De certo é que a Seleção Brasileira já não era um time de garotos e que existe uma geração talentosa esperando por uma oportunidade e que merecem uma chance antes que cheguem velhos e tenham pouco tempo para defender a Seleção. Mas o Bernardo sabe o que faz. Vamos esperar para ver.

Intriga
Não é de hoje que a levantadora Dani Lins vem se destacando como uma das melhores na sua posição. Porém, existem diversos boatos que dizem que ela não chega à seleção principal devido a problemas pessoais com o técnico José Roberto Guimarães. No meu ponto de vista, a Dani Lins é a mais talentosa entre as postulantes à vaga deixada pela Fofão, mas ainda peca pela instabilidade. Uma jogadora profissional não deveria receber orientações primárias de como tocar na bola em pleno jogo (como foi mostrado na TV durante a transmissão da Salompas Cup). Precisa trabalhar bastante o lado emocional, pois provando que é a melhor não tem problema pessoal que impeça que ela chegue no lugar mais almejado por qualquer jogadora.

domingo, 23 de novembro de 2008

E PINTAM OS PRIMEIROS FAVORITOS

Fala galera fã de vôlei!

Estou inaugurando esse espaço, pois como fã e ex-atleta de vôlei, sempre achei necessário mais espaços para discutir esses esporte que nos últimos tempos tem sido o verdadeiro orgulho do nosso país. Espero contar com a contribuição de vocês com sugestões, críticas, fotos e o que mais acharem interessante para tornar esse blog um verdadeiro espaço dos admiradores do vôlei brasileiro. Me comprometo a tentar ser o mais imparcial possível e apenas expor as minhas considerações sobre o momento atual do esporte, dos atletas e dos técnicos.

Para começar, não tinha como não falar das finais do primeiro turno da Superliga. No feminino, deu Rexona. No masculino, Cimed. Ao que parece, a família Rezende faz jus ao ditado que diz: “Deus ajuda a quem cedo madruga!”. Bernardinho não é considerado o melhor técnico de vôlei do mundo por um acaso. Perfeccionista, os oito anos vencedores com a seleção masculina são provas mais que concretas que o trabalho duro gera resultados. Nessa Superliga, ele nos deu mais uma prova.

A competição começou e o time multicampeão do Rio de Janeiro, diferente de outras edições, chegou com status de coadjuvante. Só se falava de Finasa, com o reforço de Sassá e Thaísa (ambas ex-atletas do Rio) e do São Caetano, que tem como base três estrelas olímpicas: Mari, Sheilla e Fofão. Os reforços do Rexona? As preteridas de Zé Roberto, Carol Gattaz e Joycinha e a “veterana” Érika. Na Copa Brasil, o time chegou a ser motivo de piada, ficando fora da final.

Com muita paciência e trabalho, Bernardinho mostrou que o seu time está na competição para brigar pelo título, aliás, como ele sempre faz. O que mais me surpreendeu no time do Rexona, foram exatamente as atuações dos três reforços da equipe, tão criticadas no início da temporada. A Érika finalmente entendeu que ela não é mais a jogadora decisiva de anos anteriores e está compondo o time, principalmente no fundo de quadra, perfeitamente, ao lado de Fabi. Carol Gattaz está mais versátil, mais rápida e mais forte!

E finalmente Joycinha, que é a maior pontuadora da competição. Eu sei que muitas pessoas vão dizer: “Ah... ano passado ela também foi a maior pontuadora”. Foi sim, mas ela jogava no Pinheiros, com jogadoras mais fracas e onde ela quem tinha que decidir. Sem contar que ela atacava 100 bolas para fazer 30 pontos. A Joycinha está se destacando em um time que tem Fabiana, a única jogadora de meio que realmente é decisiva no ataque e que sempre se destacou como a maior ponturadora do time carioca. E não só isso... a Joycinha está literalmente comendo a bola, liderando também as estatísticas de defesa. Definitivamente, o Bernardo deu outra vida à Joycinha.


No masculino a Cimed, comandada pelo Bruninho (filho do Bernardo) despachou o Minas na final. O Minas, que repatriou os dois Andrés da Seleção Brasileira e que pintava como grande favorito, caiu ante à juventude talentosa do time catarinense. Em tempos de grande expectativa sobre a renovação na Seleção, o time da Cimed nos apresenta ótimas opções em todos os seus jogadores, incluindo aí os menos badalados, Mário Jr., Théo e Renato, além dos já conhecidos Éder, Lucas, Bruninho e Thiago Alves.

É claro que a competição ainda tem mais três turnos, antes dos playoffs finais. Daqui até o final, com certeza veremos um crescimento do São Caetano no feminino e um Finasa bem mais ajustado. No masculino, acredito que o Minas vai realmente se tornar o grande favorito e que o Suzano também vá melhorar, assim como o Betim que conta com um repatriado Leandrão em fase inspirada. Mas as equipes que, direta ou indiretamente, têm a influência da família Rezende começaram mostrando a que vieram. Parabéns aos dois times!

DOIS TOQUES

Sinceridade
Gostei da entrevista que o técnico do São Caetano/Blausiegel, Antônio Rizolla, deu ao jornalista Bruno Voloch, no programa Roda de Vôlei do canal BandSports. Ele mostrou muita consciência do trabalho que está fazendo e foi muito sincero em mostrar que está insatisfeito com o baixo desempenho do time no início da competição, mas que esperava que isso acontecesse. Mesmo sem chegar à final do primeiro torneio da Superliga, o time de Fofão, Mari e Sheilla mostrou um crescimento nos últimos jogos, que reflete o trabalho que Rizolla disse estar fazendo.

Transmissão
No lançamento da Superliga, o presidente da CBV, Ary Graça fez questão de anunciar que essa seria a maior edição da competição nos últimos anos e que teria a maior cobertura televisiva dos últimos tempos. Mas não é isso que estamos vendo. A Sportv tem revezado a transmissão de jogos, entre masculino e feminino, com apenas um jogo durante a semana e outro no final de semana. E a transmissão dos jogos finais de torneios, que foi anunciado que seria feita em canal aberto pela Globo, também não aconteceu. O que será que o vôlei ainda precisa provar para ganhar mais atenção das TV’s brasileiras?