O momento de parar talvez seja a decisão mais difícil na vida de um atleta de alto nível. Por anos, ele abdica de muita coisa de sua vida para se manter em um nível competitivo: falta tempo para estudar, falta tempo para formar uma família. Conseguir conciliar tudo isso se torna uma tarefa praticamente impossível. Imagino que depois de tanto tempo vivendo apenas e para o esporte, muitos devam se perguntar: E agora? Como seguir adiante?
Talvez por não encontrarem respostas para tais questionamentos, muitos atletas tentam prolongar suas carreiras, mesmo não conseguindo mais exibir a vitalidade de outros tempos e permanecem, muitas vezes, apenas com o nome que conseguiram construir durante sua carreira desportiva. Em todos os esportes existem casos assim e no vôlei não é diferente.
Recentemente, a jogadora de vôlei de praia e ex-musa das quadras, Leila, anunciou que se aposentaria ao final desta temporada. A Leila teve uma carreira vitoriosa nas quadras: defendeu grandes equipes, conquistou títulos importantes pela Seleção Brasileira e talvez seja uma das jogadoras mais emblemáticas de sua geração. Mas depois de Sidney (2000) resolveu se aventurar pelas areias. Suas parceiras sempre foram jogadoras de destaque no cenário: Sandra Pires e Ana Paula foram as mais importantes. Em 2003, resolveu voltar às quadras para tentar disputar as Olimpíadas e após ficar de fora da equipe, retornou ao vôlei de praia.
Neste tempo, Leila nunca conseguiu um grande e importante título. Nunca conseguiu se firmar. Mas graças ao nome que possui, sempre conseguiu bons patrocinadores e assim conseguiu “esticar” sua carreira.
O caso da Leila é muito parecido com o Nalbert. Campeoníssimo com a Seleção Masculina e defendendo grandes times na Itália, após conquistar o ouro em Atenas, decidiu também seguir para o vôlei de praia. Nunca uma mudança de esporte no Brasil ganhou tanto destaque. Mas os resultados nunca apareceram. Nalbert tentou diversas parcerias que não vingaram até decidir voltar às quadras e tentar mais uma vez disputar uma edição de Olimpíadas. Mas ele já não rendia mais o mesmo que antes e ainda achou injusto o seu corte.
Como Nalbert e Leila, muitos jogadores de vôlei também não souberam a hora de parar. Atualmente na Superliga temos vários exemplos. No masculino, o time do Cimed conta com quatro atletas veteranos: o meio-de-rede Banana, os ponteiros Dirceu e Kid e o levantador Joel. Todos com mais de 35 anos e com exceção ao Kid e ao Joel, os outros já não conseguem apresentar o mesmo nível que seus companheiros de clube. No feminino, a veterana Estefânia ainda tenta jogar na equipe do Vôlei Futuro, assim como a oposta Bia e a cubana Indira Mestre, no time do Mackenzie.
Não deve ser fácil parar. Mas algo que é preciso prestar atenção é que também não se deve abrir mão das outras oportunidades que a vida dá além do esporte. Nem todo mundo tem talento para se tornar técnico, nem todo mundo se dá bem no vôlei de praia. Ao estender a carreira até os 40 anos, o atleta acaba por fechar uma série de portas para outras áreas. É preciso estar atento a isso e não correr o risco de ser lembrado como um fiasco que não soube a hora certa de dar tchau!
A enquete que terminou ontem aqui no blog e perguntava “Qual time será o campeão da Superliga Masculina 08/09 teve um resultado surpreendente. Mesmo com a impecável campanha do time da Cimed / Brasil Telecom, a presença de dois campeões olímpicos ainda dá o favoritismo ao time do Minas. Ao todo, 60% dos votantes acham que a equipe mineira será a campeã desta edição. E haja torcida! E já está no ar a enquete para saber quem será o campeão da Superliga Feminina, segundo os nossos visitantes. Participe!
Voltando para casa
A experiente ponteira Raquel Peluci Xavier está de volta ao Brasil. Depois de reforçar o time do Rexona durante a Salompas Cup deste ano, a jogadora de 30 anos irá defender o time do Pinheiros / Mackenzie. Na última temporada, Raquel (medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sidney) foi campeã coreana e deve estrear na Superliga na próxima semana.


5 comentários:
Bacana!
Apesar de tudo, adoro a Raquel.
F. Cortez
Comente sobre a Mari no jogo contra o Minas...Parece que teve confusão dela com alguma torcedora ou jogadora,não sei!!!!
São muitos os casos de velhas que não se tocam... Fofão mesmo, deveria ter encerrado com o ouro em Pequim, existiu chance melhor? Agora tá pagando mico no Sanca...
Outras pararam precocemente, o que acho mais lamentável ainda. Márcia Fu, Hilma e Ana Flávia poderiam ter ido mais além. As 3 praticamente desistiram da vida após a derrota de Atlanta, um trauma que destruiu aquela geração que poderia ter brigado pelo ouro novamente em Sidnei.
Discordo da Maristela. Acho que a Fofão fez uma boa escolha quando resolveu voltar para o Brasil pra encerrar a carreira. Mesmo se o time não alcançar o bons resultados esse ano, essa temporada não vai apagar tudo o que ela fez tanto pela Seleção, quanto pelos cluber que defendeu.
Ah, que bom que a Raquel voltou!
Bia Duarte
O lance da Mari foi um 'troca de farpas' com a Rafa Dal Ponte do Minas. Tbm queria saber mais!
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