“O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou...”. O trecho da música Relicário de Nando Reis, deve ser a pergunta que não quer calar na cabeça de todas as jogadoras do time do São Caetano/Blausiegel. Sim... todas elas! Tanto as que já estavam na equipe na temporada passada, como os “reforços” que chegaram este ano.
Vamos começar com as mais antigas. Clarisse, Dayse, Natasha, Ana Cristina e Dani. No ano passado, ao lado da Bárbara e da Camila Brait (as duas hoje no Finasa) e da Joyce (atualmente no Brasil Telecom), formavam a base principal do time do ABC paulista. O clube tinha um patrocinador pequeno e dependia basicamente do apoio da prefeitura da cidade de São Caetano. Por isso, a equipe era formada por jogadoras jovens, muitas das quais com passagens pelas seleções de base do Brasil. Mesmo com baixas expectativas, a equipe sempre brigava por títulos no Campeonato Paulista e não fazia feio na Superliga – na temporada passada terminou em 5º lugar.
A Edna defendeu a equipe de Brusque na temporada passada. Durante um bom tempo, foi considerada a melhor bloqueadora da Superliga 07/08 e foi uma das revelações do campeonato (apesar de já ser conhecida). Também na temporada passada, a Andréia voltou ao Brasil para brigar por uma vaga de titular no Finasa com a Adenísia. Ficou na reserva, mas foi importante em diversos jogos do time. E Thaís, ponteira que defendeu o Minas na temporada passada, contratada para ser a segunda do time. As três vieram para São Caetano para formar o "dream team" que iria desbancar Finasa e Rexona da hegemonia no vôlei feminino brasileiro.

E finalmente o trio dourado. Sheilla, Mari e Fofão. Os grandes reforços do time do ABC. As estrelas responsáveis por dar ao São Caetano, o seu primeiro título na Superliga. Em tese! Mari e Sheilla vieram do disputado (e rico) campeonato italiano. Foram campeãs. Na seqüência foram campeãs do Grand Prix e alcançaram a glória máxima a conquistarem o ouro em Pequim. A trajetória de Fofão também foi parecida. Absoluta na posição de levantadora da Seleção, saiu da Itália para ser campeã no Murcia da Espanha e assim como as outras duas também venceu o Grand Prix e as Olimpíadas.
Se você perguntasse a qualquer pessoa, antes do início da temporada, em quê iria dar essa mistura, a resposta vinha instantaneamente: VITÓRIA! Ninguém tinha dúvidas. Misturar juventude talentosa, com jogadoras consagradas é uma receita quase infalível. Ainda bem que existe a palavra “quase”. Na prática, o time do São Caetano não se encontrou. No comando estava um dos mais respeitados técnicos brasileiros, o Antônio Risola. Os jogos foram passando e o time não conseguia apresentar bons resultados. As jogadoras de seleção não conseguem render o esperado. Resultado: muda o técnico.
Com a elevação do Chicão ao cargo de técnico, o time parecia ter engrenado. Vitória sobre o Banespa e vitória sobre o Minas, finalista do primeiro torneio. O desafio ficaria mais pesado ao enfrentar o Pinheiros, time que mescla juventude e experiência e sempre dá trabalho para os grandes. Deu muito trabalho ao São Caetano. Tanto que venceu e de virada! Com direito a 25 x 13 no segundo set do jogo.
Eu entendo a pressão que o time do São Caetano deva viver. Os patrocinadores e o clube anunciaram a nova equipe como franca favorita. Montaram uma estrutura de primeiro mundo para as jogadoras. Mas, até agora, nada deu certo. E a equipe, rodada após rodada, vem decepcionando os fãs do vôlei e os torcedores (que até o ano passado não eram 10% do que é hoje).
Segundo definição de dois dos mais conceituados dicionários da língua portuguesa, a palavra relicário pode ter os seguintes significados: 1- caixa, cofre, lugar próprio para guardar relíquias; 2- bolsinha ou medalha com relíquias que algumas pessoas trazem ao pescoço, por devoção; firmal; 3- algo precioso, de grande valor, 4- Memória; coração.
Já que as memórias que ficam no coração, geralmente são as boas memórias, que tal as jogadoras lembrarem o que já fizeram, da capacidade que possuem em jogar voleibol e resolverem colocar tudo isso em prática? Todas elas já mostraram que são vencedoras e as são de fato. Mas só de nome não se consegue chegar a lugar algum. Potencial o time tem de sobra. Mas ele não pode ficar guardado em nenhuma caixa ou cofre. No esporte, o valor é para ser colocado para fora.
(*) Excepcionalmente hoje, a coluna DOIS TOQUES não será publicada.

5 comentários:
Acho que creditaram ao SC/Blausiegel um favoritismo que não deveriam, claro que um time que tem três campeãs olimpícas merece respeito, mas não era pra tanto. Dizer por exemplo que o time está no mesmo patamar de Finasa e Rexona é um pouco demais, não pelas jogadoras, mas sim pela falta de um 'conjunto'. O time deveria ter começado 'por baixo' pra ir crescendo aos poucos e surpreender e não começar com status de favorito e despencar. Eu ainda acredito que teremos belos confrontos com partipação do Sanca, mas só nos play-offs.
Faço minhas as palavras do Edson.Perfeito!
Nossa,concordo com o Edson.Perfeito.Definiu bem a situação! Principalmente nessa parte:
"Dizer por exemplo que o time está no mesmo patamar de Finasa e Rexona é um pouco demais, não pelas jogadoras, mas sim pela falta de um 'conjunto'. "
Resumindo...O favoritismo criado em torno do São Caetano foi totalmente equivocado.
Já dizia Fernanda Venturini, em entrevista ao Globo Esporte, quando ainda defendia a seleção brasileira: "Tem horas que a Mari precisa levar um choque para ver se acorda".
Das três, quem menos tá demonstrando seu potencial é ela.
Chico - torcedor
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